O livro mais vendido no mundo é uma farsa? Para muitas pessoas, a Bíblia é sagrada, inteiramente inspirada por Deus. Seus ensinamentos são a mais pura revelação divina e as dezenas de mandamentos contidos nela, intocáveis. Para outros, porém, ela representa a maior de todas as fraudes. Seus textos, segundo essa parcela da população, foram engenhosamente elaborados e alterados ao longo dos anos com fins bem específicos: entre eles, impedir revoluções e manter os cidadãos mergulhados em um mar de passividade, à espera de uma recompensa sobrenatural que um dia chegará.
Em minha opinião, a Bíblia não se encaixa em qualquer uma das duas visões apresentadas acima. As Escrituras são uma grande fonte de conhecimento, não apenas sobre os costumes de épocas passadas, mas também sobre a razão da existência humana. Vamos às evidências.
Primeiramente é necessário que se desmistifique a idéia de que cada palavra ali contida surgiu por pura inspiração divina. É evidente que, ao longo dos séculos, seus textos passaram por mudanças significativas, alterando, inclusive, as idéias de certos trechos. O próprio processo de tradução das Escrituras para os idiomas locais fez com que essas falhas surgissem. Porém, esses erros de tradução são apenas detalhes se comparados com interpretações humanas equivocadas feitas desde os tempos de Moisés. É quando a Bíblia apresenta os seus maiores erros, alguns deles, inclusive, têm servido de pretexto para inaceitáveis violências contra grupos étnicos e, principalmente, contra o segmento feminino das sociedades.
Por exemplo, alguém acredita que apedrejar mulheres adúlteras era um mandamento inspirado por Deus? Não, não era. Porém, Moisés, um dos maiores profetas da história da humanidade, interpretou como sendo, e tal idéia se tornou parte da “Lei Divina”. Em seu livro “O Sermão da Montanha”, Humberto Rohden defende, utilizando outras passagens do Evangelho, esta verdade. Segundo o autor, as interpretações equivocadas por parte dos antigos profetas foram uma das razões que motivaram a vinda de Jesus à Terra.
Como o próprio Cristo afirmou, ele não veio para abolir a Lei de Moisés, mas para aperfeiçoá-la. Em Marcos 2, ele explica o motivo: “Ninguém costura remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo novo tira parte da veste velha, e fica maior a rotura. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos”. Conclusão: se Jesus pretendeu aperfeiçoar a Lei é porque havia falhas de entendimento nela. Portanto, nem tudo que consta das “Sagradas Escrituras” é realmente a vontade de Deus para a humanidade.
Porém, esses detalhes não retiram, de forma alguma, a grandiosidade de sabedoria existente na Bíblia. A inspiração de Deus em certos trechos é incontestável. Cito apenas dois: Isaías 40, versículo 22 e Jó 26, versículo 7.
Em uma época em que se acreditava piamente que a Terra era plana – vale lembrar que até cerca de 600 anos atrás isso ainda era uma “verdade” até mesmo entre os mais estudados doutores - o profeta Isaías, que viveu há milhares de anos atrás, escreveu sobre Deus: “Ele é o que está assentado sobre a redondeza da Terra”. É ou não é surpreendente?
Da mesma forma, no livro de Jó, lê-se que a Terra está suspensa no universo. “Ele estende o norte sobre o vazio e faz pairar a Terra sobre o nada”. Inspiração divina ou simples sorte? Sinceramente, prefiro crer na primeira opção.
Por essas razões, me mantenho longe de qualquer fundamentalismo, e, sempre com os pés no chão, aprendo diariamente com todos os ensinamentos deixados pelos profetas. Como disse o apóstolo Paulo em sua primeira carta aos tessalonicenses, “Examinai tudo e retende o bem”. Sei que a Bíblia não é a verdade pura e absoluta, mas representa, em minha opinião, o mais próximo que se pode chegar dela.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
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